
Anne-Marie, a filha caçula, passou a infância sentada numa cadeira. Ensinaram-lhe a aborrecer-se, a ficar direitinha e a coser. Ela possuía dons: acharam que era distinto deixá-los incultos; brilho: cuidaram de escondê-lo. Aqueles burgueses modestos e ativos julgavam a beleza como algo acima de seus meios ou abaixo de sua condição; permitiam-na às marquesas e às meretrizes. Luise alimentava o mais árduo orgulho: por receio de ser lograda, negava nos filhos, no marido, em si mesma, as qualidades mais evidentes; Charles não sabia reconhecer a beleza nos outros: confundia-a com a saúde: desde a doença da esposa, consolava-se com robustas idealistas, bigodudas e coradas, que vicejavam saúde. Cinquenta anos mais tarde, folheando um álbum de família, Ane-Marie se apercebeu de que havia sido bela.
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