
Bull possuía um carinho todo especial pelos velhos dias da América, especialmente 1910, quando se podia comprar morfina em qualquer farmácia sem receitas e os chineses fumavam ópio em suas janelas ao entardecer e o país era entusiástico, barulhento, louco e livre, com abundância e qualquer espécie de liberdade para todo mundo. Seu ódio primordial era a burocracia de Washington; a seguir, os liberais; depois a polícia. Passava o tempo inteiro falando e ensinando os outros. Jane sentava aos seus pés; e eu também; e Dean também; Carlo Marx também o fizera. Todos nós tínhamos aprendido com ele. Era um cara acinzentado com uma aparência impossível de descrever e que passaria despercebido na rua, a não ser que se olhasse de perto e se visse sua louca caveira ossuda e sua estranha juventude – um sacerdote do Kansas envolto em mistérios exóticos e uma chama fenomenal. Tinha estudado medicina em Viena, estudara antropologia, leu de tudo; e agora estava instalado para o grande trabalho de sua vida, que era o estudo das coisas em si, nas ruas da vida, e a noite.