
Uma noite aceitaram o convite de um barão italiano que festejava seu sexagésimo aniversário com um jantar de gala no Hotel Suisse. Estavam na sobremesa quando aconteceu de Hervé Joncour dirigir o olhar para Hélène. Ela estava sentada do outro lado da mesa, ao lado de um atraente cavalheiro inglês que, curiosamente, ostentava na lapela uma pequena guirlanda de florzinhas azuis. Hervé Joncour o viu inclinar-se para Hélène e sussurrar-lhe qualquer coisa no ouvido. Hélène se pôs a rir de um modo belíssimo e rindo inclinou-se levemente para o cavalheiro inglês, chegando a tocar seu ombro com seus cabelos, num gesto que não demonstrava qualquer embaraço, apenas uma desconcertante correção. Hervé Joncour baixou o olhar para o prato. Não pôde deixar de notar que sua mão, que apertava uma colher de prata, indubitavelmente tremia.
Mais tarde, no fumoir, Hervé Joncour, cambaleando pelo excesso de bebida, aproximou-se de um homem que, sentado à mesa, sozinho, olhava para a frente com uma expressão vagamente idiota. Inclinou-se para ele e lhe disse, vagarosamente:
– Devo comunicar-vos uma coisa muito importante, Monsieur. Todos nós damos nojo. Somos todos maravilhosos e todos damos nojo.
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