Viu o galo amarrado no suporte do fogareiro e desta vez lhe pareceu um animal diferente. A mulher também olhou-o.
- Hoje à tarde tive de espantar os meninos com um cacete – comentou. – Trouxeram uma galinha velha para cruzar com ele.
- Não é a primeira vez – disse o Coronel. – Faziam isso mesmo nos povoados com o coronel Aureliano Buendía. Levavam para ele mocinhas para acasalar.
Ela celebrou a ocorrência. O galo emitiu um som gutural que chegou até o corredor como uma surda conversação humana.
- Às vezes eu penso que esse bicho vai falar – comentou ela.
O Coronel observou-o mais uma vez.
- Trata-se de um galo cantante e sonante – argumentou. Fez cálculos enquanto sorvia uma colherada de canjica. – Ele ainda vai dar de comer à gente por uns três anos.
- Ilusão não se come – preveniu a mulher.
- Não se come, mas alimenta – replicou. – É algo assim milagroso como as pastilhas do meu compadre Sabas.
