NINGUÉM ESCREVE AO CORONEL, Gabriel García Márquez

agosto 26, 2011

Viu o galo amarrado no suporte do fogareiro e desta vez lhe pareceu um animal diferente. A mulher também olhou-o.

- Hoje à tarde tive de espantar os meninos com um cacete – comentou. – Trouxeram uma galinha velha para cruzar com ele.

- Não é a primeira vez – disse o Coronel. – Faziam isso mesmo nos povoados com o coronel Aureliano Buendía. Levavam para ele mocinhas para acasalar.

Ela celebrou a ocorrência. O galo emitiu um som gutural que chegou até o corredor como uma surda conversação humana.

- Às vezes eu penso que esse bicho vai falar – comentou ela.

O Coronel observou-o mais uma vez.

- Trata-se de um galo cantante e sonante – argumentou. Fez cálculos enquanto sorvia uma colherada de canjica. – Ele ainda vai dar de comer à gente por uns três anos.

- Ilusão não se come – preveniu a mulher.

- Não se come, mas alimenta – replicou. – É algo assim milagroso como as pastilhas do meu compadre Sabas.

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